quarta-feira, 9 de julho de 2014

AEE – Aprendendo a “olhar”

Quando observamos o quanto somos críticos para com os outros, analisamos o quanto somos falhos, pois geralmente instituímos um padrão mínimo de “perfeição humana”.
Olhamos como o “olho da homogeneidade”.
Isso me faz lembrar uma dinâmica que muito se faz – a  do papel em branco com um ponto negro no meio ou em qualquer outra parte. A nossa tendência é visualizar/focar nossa visão no “bendito” ponto negro. Enquanto todo o restante do papel que está em branco é colocado em segundo plano ou nem mesmo é, em algum momento, evidenciado.
Isso significa que a “mancha” ou o “sujinho”, seja lá o nome que se dê, presente na folha em branco tem mais importância do que o todo, que e quase que totalmente desvalorizado por causa de um “detalhe”.
Quando nos reportamos ao profissional de AEE que atua junto às pessoas com deficiência, é mister registrar a extrema necessidade deste professor realizar um trabalho de quebra de barreiras atitudinais, tão arraigadas em nós pela cultura social excludente que ainda está muito vigente no nosso cotidiano.
Aprender a “olhar” para o outro como um igual (ser humano) diferente (singularidades) é um processo de aprendizagem, quiçá também chamado de reeducação, tendo em vista o grau de preconceito internalizado por muitos desde a sua infância.
Desconstruir conceitos que evidenciam no outro o “não tem” ou o “não sabe” é algo que exige tempo e paciência. Visualizar o sujeito como ser humano com potencial e habilidades quando este tem algo (ponto negro) que o limita em alguma área é algo que alimenta a exclusão social.
Termino essa reflexão com a frase do Padre Fábio de Melo:
Capacidade de me Olhar
Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou. Pela sua capacidade de me olhar devagar, já que nessa vida muita gente já me olhou depressa demais.