AEE – Aprendendo a “olhar”
Quando observamos o quanto somos críticos para com os
outros, analisamos o quanto somos
falhos, pois geralmente instituímos um padrão mínimo de “perfeição humana”.
Olhamos como o “olho da
homogeneidade”.
Isso me faz lembrar uma dinâmica
que muito se faz – a do papel em branco
com um ponto negro no meio ou em qualquer outra parte. A nossa tendência é
visualizar/focar nossa visão no “bendito” ponto negro. Enquanto todo o restante
do papel que está em branco é colocado em segundo plano ou nem mesmo é, em
algum momento, evidenciado.
Isso significa que a “mancha” ou o
“sujinho”, seja lá o nome que se dê, presente na folha em branco tem mais importância
do que o todo, que e quase que totalmente desvalorizado por causa de um “detalhe”.
Quando nos reportamos ao profissional
de AEE que atua junto às pessoas com deficiência, é mister registrar a extrema
necessidade deste professor realizar um trabalho de quebra de barreiras atitudinais,
tão arraigadas em nós pela cultura social excludente que ainda está muito
vigente no nosso cotidiano.
Aprender a “olhar” para o outro
como um igual (ser humano) diferente (singularidades) é um processo de
aprendizagem, quiçá também chamado de reeducação, tendo em vista o grau de
preconceito internalizado por muitos desde a sua infância.
Desconstruir conceitos que
evidenciam no outro o “não tem” ou o “não sabe” é algo que exige tempo e
paciência. Visualizar o sujeito como ser humano com potencial e habilidades
quando este tem algo (ponto negro) que o limita em alguma área é algo que alimenta
a exclusão social.
Termino essa reflexão com a frase do Padre Fábio de Melo:
Capacidade
de me Olhar
Eu
gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do
que eu sou. Pela sua capacidade de me olhar devagar, já que nessa vida muita
gente já me olhou depressa demais.
Olá Carla!
ResponderExcluirEm que medida o texto de Ítalo Calvino contribuiu para sua reflexão?
Abraços fraternais,
Waldenice